Quarta-feira, 13 de novembro de 2019   
 
 
 
 

12 de dezembro de 2018

COP 24: Estamos trocando a realidade pela ficção

 

Por Reinaldo Canto

Quanto mais são as razões para agirmos com urgência no combate às mudanças climáticas mais absurdos contribuem para impedir seu avanço

Desde a Conferência Climática de Copenhague, a COP 15 em 2009, muito se discutiu e passo a passo foi se chegando ao consenso do perigo representado pelas mudanças climáticas até se chegar ao Acordo de Paris estabelecido em 2015. O documento contou com a chancela de 195 países e tudo fazia crer que entraríamos num processo sério e efetivo no combate ao aquecimento global.

Eis que nacionalismos limítrofes comandados pelo governo norte-americano de Trump passou a questionar o acordo e até mesmo a existência irrefutável do aquecimento do planeta.

Agora se junta a ele o governo brasileiro do presidente eleito Jair Bolsonaro em que muitos classificam as mudanças climáticas como sendo um complô do marxismo globalista.

Assim como o presidente americano disse não acreditar no relatório preparado pelo seu próprio governo quanto aos perigos das mudanças climáticas para a economia e a segurança dos Estados Unidos, nossas novas lideranças tem feito a incrível troca da ciência e dos fatos pelas opiniões e crenças. Portanto, nada mais natural do que o novo governo ter contribuído para cancelar a realização da COP 25 no Brasil em 2019. Sem dúvida, uma maneira de manter a coerência de um pensamento incoerente, ignorante e perigoso para a humanidade, mas que faz todo o sentido pelo andar da carruagem.

Não é à toa que desde a semana passada em Katowice, na Polônia palco da COP 24 estar registrando alguns dissabores para os que trabalham pelo sério e responsável enfrentamento das mudanças climáticas.

O Renascimento do Carvão

Eis que Estados Unidos e a Arábia Saudita usaram Conferência Climática na Polônia para elogiar e reforçar o uso do carvão como, vejam bem, “fonte limpa de energia”, um verdadeiro escárnio às informações que cada vez mais colocam os combustíveis fósseis como os grandes vilões do aquecimento global.

O relatório divulgado em outubro pelo IPCC – sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – concluiu que será necessário reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 tendo como base as emissões de 2010 com o objetivo de conter o aumento da temperatura média do planeta. Mesmo assim durante a COP na Polônia, Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait tem feito oposição à aprovação do relatório que precisa da assinatura de todos os países participantes da cúpula.

Apesar das severas críticas que tem sido feitas a esses grandes emissores, não parece muito provável que eles mudem de posição.

Mesmo diante de tragédias causadas pelos fenômenos climáticos extremos, uma das terríveis consequências do aquecimento global e da opinião de cientistas e especialistas da própria Casa Branca, Trump não parece capaz de alterar sua crença. Seria muito engraçado se não fosse trágico, uma ironia feita pelo ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ao dizer que “O governo Trump continua promovendo o carvão em uma cúpula sobre o clima da ONU. O que vai fazer depois? Ignorar a ciência sobre o tabaco e promovê-lo em uma conferência mundial sobre o câncer?”, bem diante dos absurdos que temos visto é melhor não duvidar.

Assim como nos Estados Unidos, o Brasil, país com a maior biodiversidade e floresta tropical do mundo, as opiniões e crenças passam agora a prevalecer sobre a ciência e os fatos. Afinal, parece mais confortável para os líderes desses países “achar” alguma coisa do que discutir com seriedade temas mais complexos.

Desse modo as teorias conspiratórias imaginadas por esses líderes colocam em risco o futuro do planeta e de todos nós que aqui vivemos. Se mesmo com todos de acordo o caminho não se mostrava muito fácil, o obscurantismo torna tudo mais difícil e incerto. Que o céu nos ajude!!

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