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01 de outubro de 2013
Já estamos vivendo em um novo planeta?
Segundo relatório do IPCC, hoje habitamos um mundo desconhecido
em virtude dos níveis inéditos de concentração de carbono na atmosfera

Por Reinaldo Canto*


Passageiros de cruzeiro observam iceberg na região da península Antártida; quantidade de grandes blocos de gelo desgarrados vem aumentando com a elevação da temperatura
Foto: Lino Bocchini

Não surpreendeu, surpreendendo, saber que caminhamos todos rumo ao desconhecido. Diferentemente do que anunciava a série Star Trek, “indo onde nenhum homem jamais esteve”, não precisamos ser um capitão Kirk no comando da nave estelar USS Enterprise. Basta apenas sentar no próprio sofá, na cadeira do trabalho ou no banco do carro para realizarmos uma jornada a um novo mundo.

Segundo o IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão da ONU), atingimos tal quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, inédita, ao menos nos últimos 800 mil anos. E suas consequências para o futuro imediato é, pelo menos, o acirramento ainda maior dos fenômenos climáticos extremos que já temos observado sem grandes esforços. Períodos maiores de secas; chuvas mais torrenciais; ciclones e tornados mais frequentes ou ocorrências inéditas em locais antes não atingidos por esse tipo de fenômeno; aumento no nível dos oceanos e derretimento de geleiras.

Todas essas evidências, assim como o aumento da temperatura média do planeta e a decisiva ação humana para que esse quadro se configurasse, já haviam sido apontadas no último relatório do IPCC divulgado em 2007. Mas o que antes era uma certeza, transcorridos mais 6 anos de estudos exaustivos levados a cabo por cientistas do mundo todo, tornou-se convicção. Para o órgão das Nações Unidas, nós somos os responsáveis por esse estado de coisas e nos cabe também a missão de começar a reverter esse quadro.

O documento divulgado pelo IPCC enfatiza que: “a concentração de CO2 na atmosfera aumentou 40% desde a era pré-industrial em razão das emissões oriundas da queima de combustíveis fósseis. Deste total, 30% foram absorvidos pelos oceanos que, por essa razão, se tornaram mais ácidos e menos capazes de regular o clima”.

De 2007 para 2013 sem motivos para comemorar

Muitas das novas conclusões entre o penúltimo e o último relatório divulgados pelo órgão da ONU para mudanças climáticas está a certeza de que a pouca movimentação de autoridades para melhorar o quadro, trouxe como consequência o acirramento de alguns problemas, ou seja, o que era ruim ficou um pouco pior.

Quanto ao aumento da temperatura média desde 1850 estimada em 0,76 graus Celsius no relatório de 2007, passou para 0,85 ºC tendo como base o ano de 1880. O aumento no nível do mar também sofreu uma alteração para cima entre um documento e outro de 17 centímetros para 19cms. A velocidade de derretimento no Ártico foi outra constatação que mudou de patamar subindo de uma perda de 2,7% de gelo por década para algo entre 3 e 4,1% a cada dez anos.

Ceticismo sem lugar na história

São muitos os obstáculos para que possamos empreender mudanças nas políticas públicas mundiais que contemplem uma reversão no cenário apontado pelo IPCC. A ganância e imediatismo humanos são mais do que suficientes interesses econômicos a dificultar esse processo. Agora ainda ser obrigado a ouvir insistentemente os mesmos gatos pingados a bater na tecla que as mudanças climáticas e o aquecimento global não passam de bobagens, é demais para fígados sensíveis.

Quase sempre financiados por grandes corporações interessadas em deixar tudo como está a “base científica” usada por eles se assemelha aos comentários de botequim utilizando-se largamente de dados fora de contexto e responsabilidade zero.

Esperemos que as novas informações divulgadas mundialmente pelo IPCC sejam capazes de despertar a urgência na tomada de posições e evitar que no comando de nossa Enterprise esteja algum desses céticos trogloditas a arrastar nossa nave-mãe Terra para dentro de buracos negros ainda mais obscuros e desconhecidos.

 
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