Quinta-feira, 15 de novembro de 2018   
 
 
 
 

21 de setembro de 2013
Resíduos que matam
Entidade alerta para os riscos que envolvem a ineficiente gestão dos resíduos da área da saúde

Por Reinaldo Canto*


O destino adequado do lixo é um problema
que afeta a maioria das cidades
Foto: Agência Brasil

No espaço desta coluna temos destacado, com alguma frequência, a importância do tratamento adequado aos nossos resíduos. Com a Lei Nacional dos Resíduos Sólidos prestes a completar sua total implementação, assim esperamos que ocorra em 2014, ainda somos surpreendidos por situações bastante alarmantes.

Este é o mínimo que podemos dizer quando nos chegam informações como as divulgadas pela ABRELPE – Associação Brasileira Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – sobre a situação dos resíduos gerados pelos serviços de saúde (os chamados RSS).

Segundo dados apurados pela entidade, cerca de 40% das 244 mil toneladas de resíduos gerados pelo setor em 2012, tiveram destinação inadequada.

Segundo a ABRELPE,do total coletado, 37,4% seguem para incineração; 21,7% são enviados a aterros sanitários; 13,3% vão parar em lixões; 16,6% são tratados em autoclaves (esterilização de materiais) e 5,2%, em microondas; e 5,8% em valas sépticas. Se apenas imaginarmos o poder contaminante desses resíduos (lixo hospitalar, remédios vencidos, materiais de farmácias e drogarias, etc.) já seria motivo suficiente para uma gestão extremamente cuidadosa. Mas se aí pensarmos que em torno de 40% são descartados de maneira ineficiente, temos no horizonte, um cenário simplesmente explosivo.

Aprimoramento das leis e maior fiscalização

São inúmeros os riscos existentes para o descarte irresponsável para qualquer tipo de resíduo, potencialmente causadores de sérias consequências à saúde pública e ao meio ambiente, mas no caso dos RSSs os perigos são ainda mais evidentes.

Por essa razão as normas que regulam a gestão desses resíduos determinam que os serviços de saúde são responsáveis pelo correto gerenciamento de todos os resíduos produzidos, desde o momento de sua geração, tratamento quando se fizer necessário até a sua destinação final. É o que está explicitado na RDC 306 (Resolução da Diretoria Colegiada) da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – em vigor desde 2004.

Mas a ABRELPE aponta considera que a medida é incompleta. Para a entidade, existe a necessidade de maior rigor no que se refere a determinados materiais resultantes de procedimentos cirúrgicos, por exemplo, como tecidos humanos e objetos perfurocortantes (lâminas, agulhas, brocas, etc). Nesses casos, a regulamentação ainda permite o descarte em aterro sanitário, apesar de seu óbvio poder contaminante. Também é fundamental que os órgãos ambientais e de vigilância sanitária sejam mais rigorosos quanto ao gerenciamento dos resíduos a que todos os serviços de saúde precisam cumprir.

Esse é apenas mais um desafio, entre os inúmeros propostos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Os muitos anos de descaso com a gestão dos resíduos, historicamente chamado de lixo, e descartados das maneiras mais absurdas, têm cobrado um preço muito alto, em forma de tristes e desoladoras estórias de contaminação, doenças e até mesmo mortes.

A boa notícia é que hoje existe a preocupação em se buscar caminhos para interromper esse processo e começar finalmente a construir um processo de logística reversa, quando for o caso e de cuidados especiais nas situações como os apontados aqui referentes aos resíduos de serviços de saúde.

O que não se pode mais é negligenciar os perigos, já plenamente reconhecidos, a envolver todos os tipos de materiais. Sejam eles oriundos da saúde, da indústria ou mesmo de origem doméstica, não temos mais desculpas para agir de maneira irresponsável.

 
  Arquivo
26/10/2018
O sol que castiga o sertão é realidade como fonte de energia na Paraíba
19/07/2018
Nossa vida não é feita de plástico: recuse canudos
16/07/2018
Gente que faz a sustentabilidade no dia a dia
12/06/2018
FICA 2018: Sons únicos do Passado e sua melancólica extinção
06/06/2018
Renováveis sim, Alternativos não!
18/05/2018
Novo milênio derruba alguns dos valores do século 20
17/04/2018
O assédio na América Latina e a reação das brasileiras
16/04/2018
Coordenadora do Limpa Brasil fala do problema gerado pelo lixo
13/04/2018
Biocicla mostra como ir do lixo ao luxo da transformação
22/03/2018
Rio Doce, um desastre anunciado e inovação na recuperação
08/03/2018
O mundo encantado dos youtubers
08/02/2018
Sinergias entre cidades e empresas apontam caminhos para o futuro
04/01/2018
Um ano realmente novo ou seguiremos na mesma batida da irracionalidade?
27/11/2017
Ação empresas contra o desmatamento é fator de proteção ao lucro
23/11/2017
Longevidade das empresas depende da transição à economia de baixo carbono
13/11/2017
Apesar dos pesares, energia limpa é um caminho sem volta
14/10/2017
O que Michel Temer e Donald Trump pensam sobre o meio ambiente?
03/07/2017
O que falta para o Brasil ser a maior potência em energia solar?
16/06/2017
Código Florestal completa cinco anos longe de atingir objetivos
13/06/2017
Energias renováveis avançam com novas opções
16/05/2017
Governo Temer quer destruir as conquistas ambientais
07/04/2017
Um legado verde para o cerrado goiano
13/03/2017
Febre amarela: a crueldade e a ignorância andam juntas
30/01/2017
Trump, na contramão do mundo
 

2011 ~ 2018 - EcoCanto21
Reinaldo Canto
Todos os direitos reservados - www.ecocanto21.com.br
45 usuários online

Desenvovido por Tecnologia